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Cada embarcação que participa da Refeno carrega uma história que vai muito além da travessia entre Recife e Noronha. São histórias de pessoas, encontros, desafios, viagens e escolhas que fazem do mar parte da vida. Por isso, nesta série, abrimos espaço para conhecer um pouco dessas histórias, uma embarcação de cada vez.

Quando foi comprada, em 2020, a Yabá estava longe de ser uma embarcação pronta para navegar. A escuna baiana, com 60 pés no convés e 90 pés de comprimento total, estava afundando no cais do Trapiche Social, em Ubatuba, com água entrando e sendo retirada pela tripulação.

Mesmo assim, o casal que a comprou estava apaixonado pelo barco. A decisão levou a uma das viagens mais improváveis da história da Yabá: foram mais de 50 horas entre Santos e Itajaí, com água até os joelhos, motor parando, correia arrebentando e uma sucessão de problemas pelo caminho.

O destino era Navegantes, onde começaria uma reforma que duraria quatro anos. Praticamente toda a embarcação foi reconstruída: quilha, cavernas, casco, tabica, convés e casaria passaram por intervenções até que a Yabá pudesse novamente navegar.

Depois da reforma, a escuna começou uma nova fase, percorrendo a costa brasileira e conhecendo lugares pelo caminho. Agora, chega à 37ª Refeno para sua primeira participação na regata — e, segundo a tripulação, possivelmente como a primeira escuna baiana desse tipo a encarar a travessia.

A estreia ainda terá um ingrediente extra. As velas novas foram instaladas apenas um dia antes da largada e nunca haviam sido testadas. As cerca de 300 milhas até Fernando de Noronha serão, portanto, o primeiro grande teste do novo conjunto.

A reconstrução, as viagens pela costa brasileira e a preparação para a Refeno fazem parte do projeto Sailing Yabá, acompanhado pela tripulação em seu canal no YouTube.